Em 1969 o surfista americano Bill Boyum recebeu uma correspondência de seu irmão Mike, que há anos viajava pelo ainda inexplorado Pacífico Sul. “Bill, você não vai acreditar onde eu estou! Na Indonésia! Aqui é simplesmente perfeito, com vento terral o tempo todo e ondas por todos os lados. Eu realmente poderia começar a surfar em um lugar como esse. Venha para cá e traga algumas pranchas!”

Ao terminar a escola em 1972, Bill resolveu embarcar em uma viagem para a ilha de Bali. Ao chegar na Indonésia, além de encontrar as ondas perfeitas prometidas pelo irmão, Bill conheceu o também americano Bob Laverty. Os dois logo viraram amigos, e Laverty revelou que durante um voo entre Jakarta e Bali teria visto ondas perfeitas quebrando em algum lugar do sudeste da ilha de Java. Após alguma pesquisa, os dois seguiram em uma expedição de moto à pequena comunidade pescadora de Grajagan. Na bagagem, apenas pranchas e suplementos para alguns dias.

Gerry Lopez - também conhecido como Mr. Pipeline - em uma relação extra-matrimonial com G-Land. Foto: Ogden
Gerry Lopez – também conhecido como Mr. Pipeline – em uma relação extra-matrimonial com G-Land. Foto: Ogden

Ao chegarem em Grajagan, os surfistas se depararam com uma esquerda extremamente perfeita e tubular. Extensa e poderosa, G-Land, como passou a ser chamada, era a verdadeira onda dos sonhos. Os dois acamparam em frente ao pico e – incrédulos com o que tinham descoberto, surfaram ondas perfeitas completamente sozinhos durante três dias. Infelizmente, apenas alguns dias depois de retornarem à ilha de Bali, Bob Laverty morreu em um triste acidente enquanto surfava.

G-Land, Indonésia. Foto: Jason Murray
Foto: Jason Murray

Apesar do falecimento do amigo, para Bill Boyum as viagens até a Grajagan tornaram-se frequentes. Dois anos após a descoberta da onda, o Boyum resolveu abrir o que se tornaria o primeiro “surf camp” do mundo. Entre os primeiros hóspedes do G-Land Surf Camp estava Gerry Lopez, que tornou-se um ávido frequentador da onda. Lopez chegou até a revelar em uma entrevista que preferia surfar lá do que em Pipeline, no Hawaii.

Durante a próxima década, G-Land passou a estampar capas de revistas de surf mundo afora, mas sempre com seu nome e localização mantido em segredo. Apenas alguns poucos sortudos tinham a oportunidade de ficarem hospedados no “camp”. Existiam apenas três rústicas cabanas feitas em madeira, que podiam acomodar até dez surfistas. Dias sem comida eram comuns, já que o acesso à região era difícil em dias de grandes ondulações.

Maré baixa em Grajagan.
Maré baixa em Grajagan.

Nos início do anos 80, G-Land Surf Camp passou por expansão para receber mais hóspedes. Logo após ser eleita como uma das melhores ondas do mundo pelo revista Surfing, G-Land tornou-se um dos picos mais desejados da Indonésia. As esquerdas poderosas, que podem chegar a quebrar por até 300 metros, passaram a ser um destino quase que obrigatório para os surfistas “hardcore” que visitavam a ilha de Bali.

Nos dias de hoje existem outras acomodação em Grajagan, mas o pico ainda é essencialmente uma selva. Lá ainda é possível passar dias e mais dias na praia surfando esquerdas perfeitas e sentir o que Bill Boyum e Bob Laverty sentiram em 1972.

COMPARTILHE