Conheça o Pico: Pipeline

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O ano de 2017 está chegando ao fim, e isso significa que o Pipe Masters, última etapa do circuito mundial que acontece nas poderosas e temidas ondas da bancada de Pipeline, no North Shore de Oahu, está próximo. A disputa pelo título mundial está muito acirrada, com o havaiano John John Florence na primeira colocação do ranking e Gabriel Medina logo na cola, com apenas 3,100 pontos de diferença. Além dos dois, Jordy Smith e Julian Wilson também têm chances matemáticas de levarem o título para casa.

Boa parte da antecipação pelo evento gira em torno da onda, que é considerada uma das melhores do mundo. Qualquer busca rápida na internet trará inúmeros resultados que afirmam que essa é onda que mais tirou vidas até hoje. Diversos surfistas experientes já passaram sufoco no pico; há não muito tempo, Owen Wright, Bede Durbridge e Leonardo Fioravanti sofreram acidentes com graves consequências em Pipeline. Conheça agora tudo sobre o pico!

Bede Durbidge prestes a viver uma das piores experiências que você pode ter em Pipe. Crédito: WSL
Bede Durbidge prestes a viver uma das piores experiências que você pode ter em Pipe. Crédito: WSL
A onda e os reefs

O pico Pipeline na verdade é composto por três corais. O primeiro coral, que fica a poucos metros da areia, é o mais emblemático. Uma esquerda forte e muito tubular que quebra sobre uma bancada muito rasa. Apesar de não ser afiado, o reef esconde diversas cavernas e fendas que podem se tornar um túmulo para os incautos. Quando o primeiro coral fica cheio de areia, a onda fica prejudicada e passa a fechar muito. O segundo reef costuma quebrar quando o mar sobe e as ondas passam dos 12 pés. Diferente do primeiro reef, o drop aqui é até mais fácil e dá mais tempo para o surfista se posicionar enquanto a onda marcha em direção do primeiro reef. A terceira bancada, que fica a quase 300 metros da areia, raramente quebra.

Pipeline
Crédito: Zak Noyle/Red Bull Content Pool

Ondulações de oeste a noroeste encaixam bem em Pipeline. Quando o swell passa para o quadrante norte, é comum quebrar a onda de Backdoor, uma direita que divide o pico com Pipeline. Apesar da mesma onda poder ser surfada para a direita e para a esquerda, elas levam nomes diferentes.

A história de Pipeline

Não existe consenso de quem foi o primeiro surfista a encarar Pipeline, mas o crédito normalmente vai para Phil Edwards, da Califórnia. Em 1961, Phil surfou ondas de até 8 pés sozinho no pico, tudo registrado pelas lentes do filmmaker Bruce Brown. O registro dessa sessão aparece no filme “Surfing Hollow Days”, de 1962. Foi Bruce que deu o nome de Pipeline para a onda, inspirado em enormes canos de concreto que estavam sendo usados em uma construção próxima à praia. A partir daí, Pipe ganhou o mundo, recebendo homenagens em músicas e aparecendo nos principais filmes da surf da época, como Endless Summer.

Gerry Lopez, Pipeline
Gerry Lopez, Pipeline. Crédito: Reprodução

Com a popularidade das pranchinhas no final dos anos 60, Pipeline novamente voltou aos holofotes. Tubular e rápida, as ondas de Pipe eram perfeitas para esse novo tipo de pranchas. Gerry Lopez, Rory Russell e outros exploravam passavam a explorar um novo mundo por trás das cortinas de água, cada vez mais deep. Mais popular, Pipeline passou a ser pauta de reportagens e protagonista de filmes de Hollywood, extrapolando os limites do mundo do surf.

Jamie O'Brien, Pipeline
Jamie O’Brien domina Pipeline como poucos. Crédito: Zak Noyle/Red Bull Content Pool

Muitos surfistas criaram suas carreiras dentro das ondas de Pipe. Entre eles, Jackie Eberly, Sam Hawk, Jeff Crawford, Jackie Dunn, Michael Ho, Larry Blair, Dane Kealoha, Tom Carroll, Ronnie Burns, Mark Cunningham, Tom Curren, Mike Stewart, Derek Ho, Johnny-Boy Gomes, Sunny Garcia, Liam McNamara, Rob Machado, Kelly Slater, Andy Irons, Bruce Irons, Tamayo Perry, Kalani Chapman, Jamie O’Brien e John John Florence.

O Pipeline Masters

A disputa do Pipeline Master é tão importante para a história do surf mundial quanto a própria onda que serve como seu palco. Criado em 1971 pelo havaiano Fred Hemmings, o evento começou como uma única bateria de 6 homens. A partir de 1976 o evento passou a fazer parte do circuito mundial, mas foi só em 2002 que ele foi recebeu o “status” de final do tour.

Muitos surfistas venceram o Pipeline Masters mais de uma vez, como Gerry Lopez, Rory Russell, Larry Blair, Derek Ho, Tom Carroll e Andy Irons. Kelly Slater foi o maior vencedor de todos os tempos; foram 7 vitória (1992, 1994, 1995, 1996, 1999, 2008 e 2013). Em 2015, Adriano de Souza fez história ao tornar-se o primeiro brasileiro a vencer o Pipeline Masters.

Adriano de Souza, Pipeline
Crédito: WSL

O Billabong Pipe Masters de 2016 começa no dia 8 de dezembro e segue até o dia 20 de dezembro. O horário do Hawaii está 8 horas para trás em relação ao fuso horário brasileiro, e a transmissão das disputas deve começar às 15h (horário de Brasília).

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