O Efeito da Falta de Etapas do WQS no Brasil

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Tradicional etapa QS10000 em Saquarema não acontece há dois anos. Vitória em 2015 garantiu a Alex Ribeiro vaga na elite mundial. Foto: WSL

As praias do Brasil já foram um dos principais palcos do circuito de acesso da WSL, o WQS. Em 2010, 10 etapas do circuito foram realizadas no país. Desde 2008, mais de 15 cidades receberam eventos. Outros anos também tiveram números expressivos de campeonatos no Brasil. Infelizmente em 2017 o cenário é bem diferente, e apenas uma etapa está confirmada para Itacaré em outubro.

Muitos motivos explicam a falta de etapas no Brasil neste ano, mas a crise econômica e a falta de patrocínios para eventos e atletas são algumas das principais causas para o calendário brasileiro do QS estar tão fraco. Uma etapa de nível QS6000 até pode acontecer em novembro na praia de Maresias, litoral norte paulista, mas a WSL ainda não confirmou o evento.

A realização de etapas do circuito de acesso é de extrema importância para o desenvolvimento do surf nacional. Com etapas acontecendo no Brasil, um número muito maior de surfistas profissionais têm a chance de disputar pontos no ranking que podem garantir uma classificação no circuito mundial. Além disso, as premiações em dinheiro são um grande incentivo aos atletas.

Para efeito de comparação, oito eventos do circuito QS estão confirmados para a Austrália em 2017. Nos Estados Unidos são sete etapas garantidas, isso sem contar as provas no Hawaii. Além de terem fácil acesso a diversos campeonatos em seus países, o alto poder aquisitivo dos surfistas estrangeiros faz com que seja mais fácil viajar o mundo competindo no circuito de acesso.

O efeito que a falta de campeonatos do circuito de acesso causa é claro: em 2015, ano em que foi realizado dois eventos de nível máximo do QS, cinco atletas brasileiros classificaram-se pelo circuito, enquanto apenas dois eventos aconteceram em 2016 – nenhum de nível máximo -, e apenas dois brasileiros terminaram o ano entre os Top 10.

É fácil ver como participar de etapas de nível QS6000 e QS10000 é importante para conquistar um lugar entre os pros. Jessé Mendes, atleta natural do Guarujá, garantiu já na metade do ano uma vaga para o WCT de 2018. O surfista, que é patrocinado por uma grande marca, venceu uma etapa QS6000 na Austrália e ficou em segundo em outra, venceu uma etapa QS6000 no Japão e ficou em quinto em um evento QS10000 na África do Sul. Se dependesse de etapas no Brasil para classificar-se, Jessé talvez não teria entrado para a elite tão rápido.

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